Augusta Aurora Pires Seixas
- União de Freguesias de Ifanes e Paradela
- Azeite
- Fritas
Fritas
Azeite
1957
Cresceu e fez a sua escolaridade na aldeia da Pruoba. Casou e veio viver para Infainç. Teve vacas e trabalhou na agricultura. Sempre falou mirandês com o marido e família. Amassa pão caseiro uma vez por mês. Nesse dia costuma fazer fritas para os filhos e netos. Quentinhas toda a gente adora.
União de Freguesias de Ifanes e Paradela
A União das Freguesias de Ifanes e Paradela localiza-se no setor norte e nordeste do concelho de Miranda do Douro, ocupando uma posição de fronteira entre o Planalto Mirandês e o extremo oriental de Portugal. Ifanes dista cerca de 11 km da sede do concelho e é atravessada pela Estrada Municipal 542, que assegura igualmente a ligação a Paradela, situada a cerca de 16 km de Miranda do Douro e reconhecida como o ponto mais oriental do território nacional.
O território de Ifanes apresenta evidências de povoamento desde épocas muito antigas, comprovadas pela presença de esculturas rupestres, como as “Três Pegadas” e a “Ferradura”, descritas por Abade Baçal. A localidade surge documentada no início do século XIII, tendo sido doada por D. Sancho I ao Mosteiro de Moreruela e dotada de foral em 1220. A integração definitiva no espaço português ocorre em 1545, com a criação da Diocese de Miranda. O património arqueológico inclui vestígios castrejos, povoamentos romanos e santuários proto-históricos.
Paradela, situada no extremo nordeste do concelho, apresenta um povoamento de origem muito antiga, com indícios da época celta, posteriormente reforçados pela presença romana e por influências germânicas e árabes, visíveis na toponímia local. A exploração de minas de estanho constituiu, sobretudo a partir do século XIX, uma atividade económica relevante, documentada oficialmente desde 1855.
A União das Freguesias caracteriza-se por uma base económica predominantemente rural, assente na agricultura e na pecuária, complementadas por atividades como o artesanato em madeira, a extração de granito, a panificação, a construção civil e o comércio local. Apesar da reduzida densidade populacional, subsiste um tecido comunitário ativo, sustentado por associações culturais, recreativas e fronteiriças.
O património cultural, arqueológico e paisagístico constitui um dos principais ativos do território. Em Ifanes destacam-se a Igreja Matriz de São Miguel, as capelas, os cruzeiros e os sítios arqueológicos. Em Paradela sobressai o Miradouro da Penha das Torres, ponto simbólico onde o rio Douro entra em Portugal, bem como o património religioso e mineiro. No seu conjunto, esta União de Freguesias afirma-se como um território de forte identidade histórica e cultural, marcado pela fronteira e pela continuidade do povoamento humano.
Azeite
O azeite constitui um elemento estruturante da gastronomia transmontana e, de forma muito particular, da alimentação tradicional da Terra de Miranda, assumindo-se como gordura de eleição na preparação e finalização dos alimentos. Produzido a partir de variedades de oliveira adaptadas às condições climáticas e aos solos da região, o azeite integra quotidianamente a cozinha local, desde as sopas e os pratos de legumes aos guisados, carnes e peixes. Para além da sua função culinária, o azeite desempenhou historicamente um papel central na economia rural, associado à gestão do olival, às campanhas de apanha da azeitona e aos lagares, que constituíam importantes espaços de trabalho comunitário e sociabilidade.
Do ponto de vista cultural e identitário, o azeite simboliza continuidade, frugalidade e ligação ao território, refletindo práticas agrícolas transmitidas entre gerações e um profundo conhecimento dos ciclos naturais. Na gastronomia mirandesa, o azeite valoriza ingredientes simples e locais, reforçando sabores sem os sobrepor, e contribuindo para uma cozinha de base vegetal equilibrada e sustentável. A sua presença constante no receituário evidencia não apenas a qualidade do produto, mas também a centralidade do azeite enquanto património alimentar e elemento-chave na afirmação da identidade gastronómica transmontana.
Receita:
Para a confeção das Fritas utilizam-se cerca de 500 g de farinha de trigo, 30 g de fermento de padeiro, uma colher de café de sal e cerca de 4 dl de água morna. Num alguidar coloca-se a farinha e desfaz-se o fermento numa pequena quantidade de água morna. Junta-se o fermento à farinha, acrescenta-se o sal e vai-se incorporando o restante da água, amassando e trabalhando bem a massa até esta se descolar das mãos e do alguidar.
Forma-se uma bola com a massa, polvilha-se levemente com farinha e coloca-se novamente no alguidar, cobrindo-a com um pano. Deixa-se levedar em local morno durante cerca de duas horas, até a massa duplicar de volume.
Para fritar, aquece-se numa frigideira uma camada generosa de azeite, com cerca de dois centímetros de altura, até ficar bem quente. Retiram-se pequenas porções de massa, aproximadamente do tamanho de meio punho, esticam-se com as mãos até ficarem finas e com cerca de cinco centímetros de diâmetro. Colocam-se no azeite quente e deixam-se fritar até ficarem douradas de ambos os lados.
À medida que vão sendo retiradas da frigideira, ainda quentes, polvilham-se com açúcar dos dois lados. Servem-se de imediato.
Para além da receita...
As fritas eram normalmente confecionadas no dia em que se cozia o pão, sobretudo em tempos de proximidade dos períodos festivos: Natal, Páscoa, ou outras festas importantes. Reservava-se uma porção de massa de pão para esse efeito e faziam-se as fritas depois de ter terminado a azáfama de tirar o pão do forno.
